[INFOGRÁFICO] Sustentabilidade na construção civil: como gerir uma obra com foco sustentável

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Sustentabilidade é um termo em voga — pelo menos desde 1987, quando apareceu no Relatório Brundtland, um estudo comissionado pela ONU que se tornou um marco do desenvolvimento sustentável. Esse relatório, também conhecido como Nosso futuro comum, define:

“A humanidade pode promover um desenvolvimento sustentável para assegurar que ele satisfaça as necessidades do presente sem impedir que as gerações futuras satisfaçam as delas”.

Mas como a sustentabilidade na construção civil se traduz na prática? Essa é uma inquietação de muitas empresas e engenheiros. Por isso, conversamos com a professora Maria Teresa Paulino Aguilar para entender melhor o assunto e dar algumas dicas de práticas sustentáveis na gestão de obras.

Confira a seguir!

O que realmente é a sustentabilidade na construção civil?

Maria Teresa Paulino Aguilar é professora da Escola da Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais e, entre outros temas, pesquisa a sustentabilidade em edificações.

Na perspectiva dela, o conceito de sustentabilidade na construção civil é bastante complexo. Ela resume:

“Construção sustentável é um conjunto de práticas adotadas durante a concepção do projeto, durante e após as atividades da construção, incluindo seu uso e descarte ao final de vida útil, com o intuito de obter uma edificação que minimize os impactos ambientais, seja economicamente viável e contribua para o bem-estar dos envolvidos no processo de construção, de seus moradores/usuários, e da população vizinha, garantindo qualidade de vida para as gerações atuais e futuras”.

Ou seja, para ser verdadeiramente sustentável, até a utilização da construção após a finalização dela precisa observar critérios de sustentabilidade. É um ponto que, muitas vezes, foge ao controle do engenheiro responsável pela gestão da obra.

A professora explica que diversas vezes a sustentabilidade é muito mais um ideal a ser perseguido, que orienta práticas, do que algo plenamente alcançável.

O que guia a sustentabilidade na construção civil?

Pode-se considerar três dimensões essenciais envolvidas na sustentabilidade: a dimensão econômica, a dimensão sociocultural e a dimensão ambiental.

No entendimento da doutora, uma construção é sustentável somente quando todas essas dimensões são atendidas. “Ou seja, é preciso que ela seja economicamente viável, social e culturalmente aceita e ambientalmente correta”, ela diz.

Ela ressalta que é comum — em construções e outros setores — priorizar construções ecoeficientes, em vez de construções sustentáveis. Isto é, os pilares econômicos e ambientais são destacados e não se age com mesma intensidade sobre o pilar sociocultural.

Esse pilar é um dos mais difíceis de mensurar, segundo a professora, porque depende da observação de características locais.

Ela lembra, por exemplo, que antigamente não era comum construir edifícios com garagem em Paris, e o mais socioculturalmente aceitável era estacionar o carro na rua. Mas, com intensificação atual do trânsito na cidade, a demanda por garagens voltou, portanto, construções sustentáveis precisam atentar a essa necessidade.

obra mais sustentável

Como fazer uma gestão sustentável de obra?

A professora é realista sobre a gestão de obra sustentável: ela acredita que, por mais que um engenheiro possa estar disposto a gerenciar com sustentabilidade, isso só é possível quando o alto escalão das empresas está engajado com a ideia.

É uma tarefa difícil porque, em curto prazo, as práticas sustentáveis podem elevar os custos de construção — em longo prazo, tendem a diminuí-los acentuadamente.

A sustentabilidade, afinal, envolve muito mais do que utilizar materiais menos agressivos ao meio ambiente e fazer descarte de resíduos da forma correta: ela abrange um controle de qualidade eficiente da construção a fim de gerar menos desperdício, mais atenção à segurança dos colaboradores e avaliação cuidadosa dos fornecedores.

Uma gestão realmente sustentável não abrange somente a fase de projetos de uma construção. Ela é vertical, e perpassa idealização, concepção, projetos, construção e uso do edifício.

A sustentabilidade deve alcançar a estratégia da empresa na forma de um Manual de Política de Sustentabilidade, por exemplo; fortalecer a gestão com ferramentas como um Manual de Boas Práticas e aprimorar a estrutura organizacional com cursos técnicos e de motivação.

Quais as boas práticas de sustentabilidade?

Diversos instrumentos guiam a procura pela sustentabilidade. O Ministério do Meio Ambiente lista alguns exemplos de práticas sustentáveis, de olho em indicadores ambientais:

  • busca por projetos flexíveis, que possam ser readequados e adaptados para diferentes usos ao longo do tempo, reduzindo as demolições;
  • procura por soluções de energia renovável;
  • gestão ecológica da água;
  • diminuição da utilização de materiais com alto impacto ambiental.

São aspectos que, não coincidentemente, incidem sobre a industrialização da construção civil, que torna os processos mais racionais e padronizados, como explicamos no nosso post sobre a tecnologia na construção civil. Também vale destacar que obter certificações como a ISO 14001 é um norte interessante para otimizar a gestão ambiental.

Ela estabelece os parâmetros para a formação de um Sistema de Gestão Ambiental, e é muito importante para padronizar processos administrativos e do próprio canteiro de obra.

Mas como a professora Maria Teresa destaca, as certificações são apenas um passo em direção à sustentabilidade, e não resumem todo o esforço necessário para uma construção civil sustentável.

Ela salienta, por exemplo, que é necessário a empresa atentar às práticas dos fornecedores. Um fornecedor pode oferecer materiais que geram menos resíduos, por exemplo — mas, se estiver envolvido em situações irregulares de trabalho, já não poderia ser considerado sustentável.

É por isso que a gestão sustentável é tão complexa: ela envolve uma série de fatores que não necessariamente estão relacionados ao cuidado ambiental — da correta utilização de EPIs no canteiro de obra a ações com a população local.

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Ótimas dicas! Obrigado por compartilhar.

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Olá Flávia!
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Artigo muito bom. Eu acabei de achar o seu blog e queria falar que de fato os seus posts são sensacionais. Felicidades abraço.

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