Estratégias em engenharia e arquitetura para proteger seu imóvel da ação de criminosos

No estado de São Paulo, uma residência é roubada a cada hora. Apenas em 2016, foram quase 11 mil assaltos a lares paulistas. Essas estatísticas refletem como casas e edifícios brasileiros estão sujeitos à violência, além de evidenciarem o despreparo para oferecer segurança a moradores e pessoas que trabalham nesses locais.

Entretanto, é possível recorrer a estratégias de engenharia e arquitetura que evitem a ação de criminosos. Estudos e pesquisas sobre segurança demonstram que há uma série de fatores a serem considerados para deixar os imóveis menos suscetíveis a invasões e assaltos.

Uma dessas pesquisas levou à publicação do livro “A prevenção do crime através do desenho urbano”, escrito por Roberson Luiz Bondaruk. A obra é o resultado de uma pesquisa de dois anos sobre a influência do desenho urbano na criminalidade, analisando aspectos arquitetônicos e urbanísticos dos grandes centros e mostrando de que forma eles podem facilitar e/ou incentivar a ação de delinquentes.

Neste post, apresentaremos como o desenho do espaço residencial, comercial, público e de lazer está relacionado à proteção do imóvel. Continue a leitura e entenda!

Engenharia e arquitetura contra o crime

Os estudos desenvolvidos sobre como as construções podem se tornar menos vulneráveis apontam três pilares para a segurança de imóveis públicos e particulares.

Abaixo indicaremos por que é importante que as pessoas evitem muros altos e passem a ser mais rigorosas no controle de acesso aos locais onde moram e trabalham, assim como devem cuidar e preservar esses ambientes. Todos esses pontos estão diretamente relacionados a aspectos psicológicos que afastam criminosos.

Vigilância

Para entender o comportamento de quem invade residências, comércios, espaços públicos e ambientes de lazer, o coronel da Polícia Militar do Paraná Roberson Luiz Bondaruk entrevistou centenas de presidiários que cumpriram penas por crimes contra o patrimônio. Essas entrevistas corroboraram teses que são desenvolvidas há três décadas.

Elas indicam que é necessário que as pessoas evitem se enclausurar. Por mais que muros altos possam parecer uma questão de proteção e privacidade, a partir do momento em que conseguem acessar ambientes cercados por muros, os criminosos se sentem confortáveis nesses locais.

Uma vez que já estão dentro do imóvel que pretendiam invadir, eles têm a segurança de que não serão vistos por pessoas que estão no ambiente externo e, consequentemente, têm mais tempo e tranquilidade para agir.

Essa tese envolve o conceito de “ver e ser visto”. Ela é aplicada, por exemplo, em presídios norte-americanos, onde os muros são substituídos por grades. Dessa forma, os agentes penitenciários têm a visibilidade de todos os movimentos dos presidiários, o que inibe ações hostis e atos de indisciplina.

Em imóveis residenciais e comerciais, a presença de grades permite que vizinhos ou pessoas que passam na rua possam visualizar atitudes incomuns e, se necessário, acionar a polícia e outros agentes de segurança.

Quando as construções têm muros altos, acontece o que é chamado de “efeito fortaleza”. A sensação de proteção das pessoas que estão dentro desses locais é a mesma sentida por criminosos quando conseguem invadi-los.

Controle de acesso

Outro ponto a ser considerado em construções está relacionado ao controle de acesso. Roberson Luiz Bondaruk ressalta que a forma como é controlado o acesso a determinado espaço define o seu nível de segurança.

Além de terem fachadas de vidro, que aumentam a visibilidade, as agências bancárias recorrem às portas giratórias para aumentar o controle de quem acessa esses locais. Por mais que possam constranger alguns clientes, elas são uma forma de inibir a ação de possíveis assaltantes, que temem a possibilidade de não conseguir sair dos bancos. Consequentemente, eles evitam adentrá-los.

Em condomínios, onde há grande circulação de pessoas, é imprescindível que o acesso seja controlado. O descuido de porteiros pode levar a assaltos, mas alguns pontos relacionados à construção também podem favorecer a segurança, como cancelas, portas automáticas ou portas de controle automático.

Uma alternativa que tem sido mais utilizada em construções para afastar criminosos é a eclusa, em que são utilizadas duas portas de acesso ao ambiente, uma após a outra. Caso haja algum impedimento ou a entrada não seja permitida, o indivíduo ou o veículo ficará enclausurado entre os dois portões. Assim, a tentativa de acesso não autorizado é desestimulada.

Territorialidade

Assim como as características do imóvel podem influenciar a ação de criminosos, o entorno também tem impacto em sua proteção. Roberson Luiz Bondaruk alerta que os espaços ao redor de residências e empresas fazem parte do “território próprio”, ou seja, é necessário cuidar deles para garantir a segurança.

A reflexão do coronel da Polícia Militar do Paraná está relacionada a outro aspecto psicológico que pode motivar assaltantes. Quando a grama não está sempre aparada ou o lixo não é frequentemente recolhido, há a percepção de descontrole e abandono, o que propicia o aumento da criminalidade.

Ambientes bem-iluminados também limitam a ação de bandidos. Na presença de luz, os criminosos se retraem ou tentam eliminar a fonte de luminosidade.

Atenção às reformas e construções

Como vimos, há diferentes fatores a serem considerados em engenharia e arquitetura que podem auxiliar na segurança. A tese “A prevenção do crime através do desenho urbano” indica que imóveis com fachadas abertas tendem a ser mais seguros do que aqueles em que há muros altos ou arbustos que possam servir como esconderijos para assaltantes.

Além disso, é necessário ter atenção às reformas. As reestruturações dos imóveis devem ser orientadas por profissionais, para que as alterações nos projetos não abram brechas que tornem os ambientes inseguros.

Com base em sua longa pesquisa, Roberson Luiz Bondaruk destaca que precisamos de ambientes urbanos comunicáveis, casas com grades, jardins bem-aparados, recursos que permitam que as pessoas vejam e sejam vistas. “Cada vez que nos fechamos mais, a criminalidade é ampliada. Necessitamos da humanização de espaços urbanos. Muros altos, espaços fechados e conceitos como ‘segregação urbana’ e ‘efeito fortaleza’ vão de encontro a isso”, afirma.

Portanto, profissionais de engenharia e arquitetura devem permanecer atentos à formulação de projetos que resguardem os imóveis da ação de criminosos. Essas estratégias são o primeiro passo para a prevenção da violência a residências, comércios e espaços públicos.

Tornar as construções mais seguras é um dos pontos de atenção que fazem parte da rotina dos engenheiros civis. Conheça também outros desafios enfrentados por esse profissional atualmente!

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