Mercado de engenharia civil: o que esperar em 2018?

Depois de quatro anos de retração, o mercado de engenharia civil começou 2018 com novas perspectivas. A retomada, ainda que lenta, já é sentida e traz bons ventos, não só para o setor, mas para o país como um todo. A construção civil é um dos segmentos que mais movimenta a economia, gerando renda, postos de trabalho e novos negócios.

A volta do crescimento abre oportunidades para profissionais e empresas do setor de construção civil. Mas para aproveitá-las é preciso estratégia.

Por isso, confira o artigo que produzimos para ajudá-lo nessa preparação. Saiba o que esperar do mercado de engenharia civil em 2018, quais são as tendências no médio prazo e as habilidades necessárias para se projetar nesse novo contexto.

O que prejudicou o mercado de engenharia civil no período recente?

A construção civil foi uma das áreas que mais sofreu com os efeitos da crise econômica e institucional no Brasil. No campo econômico, o biênio 2015-2016 somou uma retração de 7,2%, consolidando um cenário único na história do país: a maior queda acumulada nos índices de atividade econômica, envolvendo contração em todos os setores, algo nunca registrado antes.

Esse fato, por si só, tem efeitos acentuados sobre o mercado de engenharia civil. Esse segmento, assim como impulsiona o crescimento econômico, sente de forma significativa os movimentos recessivos, pois movimenta uma extensa cadeia produtiva, mas também depende das expectativas positivas e de investimentos, que são mantidos a médio e longo prazo.

Foi justamente nesse ponto que a construção civil foi duramente afetada. Além da previsível queda no mercado imobiliário, que reflete diretamente no setor, o Brasil enfrentou um período de desinvestimento na construção civil. Operações de investigação contra corrupção, aliada a instabilidade política e crise econômica, interromperam uma série de investimentos no setor.

Não por acaso, a construção civil sofreu a maior retração entre os segmentos da economia e na comparação com o próprio PIB nacional. Do segundo semestre de 2013 até outubro de 2017, a atividade retraiu 14,3%. O auge da crise foi entre 2015 e 2016, com quedas de 6,5% e 5,2%, respectivamente.

O mercado de trabalho, da mesma forma, viu regredir a quantidade de vagas. Entre o segundo semestre de 2014 até dezembro de 2017, cerca de 1 milhão de postos de trabalho foram fechados.

Esse é o contexto que levou a construção civil brasileira a enfrentar sua pior crise. As sinalizações, agora, começam a se reverter, indicando que 2018 é, de fato, o ano da retomada. Ainda que seja uma recuperação lenta, a tendência é de que os rumos comecem a ser corrigidos neste ano.

Há sinais de recuperação do setor?

Para Daniel Garcia, da Belgo Bekaert Arames, o segundo semestre de 2018 terá aumento na demanda para a construção civil. Foram quase 5 anos “basicamente parada”, frisa, mas há perspectiva de retomada dos investimentos.

A expectativa de retomada do mercado também é notada por Antônio Paulo Pereira, da Arcellor Mital. “Esperamos estar preparados para, num curto espaço de tempo, responder a uma oferta de produtos e serviços voltados à questão de industrialização, porque há necessidade de prontidão”, sinaliza. “Há um represamento muito grande. Portanto, essa preparação é quase que inevitável, para podermos ter boa resposta num momento pós-crise e de retomada.”

Há fatos recentes que justificam o otimismo. Um deles é o Projeto Avançar, programa de investimento do governo federal que vai aportar R$ 130 bilhões em mais de 7 mil obras que estavam paradas, nas áreas de infraestrutura, petróleo e gás, energia, defesa, mobilidade, saneamento e habitação. O anúncio do governo foi feito no final de 2017, com previsão de conclusão até o final de 2018.

Quais as principais habilidades que os engenheiros devem ter?

Um dos principais desafios para os profissionais é adequar a atuação prática ao conhecimento adquirido durante a formação. Nos últimos anos, a engenharia civil sofreu mudanças significativas. “O campo mudou muito, mas a academia ainda não. Algumas escolas trabalham com conceitos ultrapassados. Não que não sejam importantes, mas a academia não está acompanhando”, contextualiza Daniel Garcia.

Segundo ele, há empresas de vanguarda que buscam a interação com a academia, favorecendo a formação dos engenheiros civis.

É o caso da Arcellor, que leva tecnologias, palestras e informações para feiras acadêmicas. Buscar essas empresas, que contemplam tecnologia, é uma opção vantajosa para recém-formados e profissionais que querem se atualizar.

“Essas empresas sempre estão abertas para fazer essa abordagem de especialização e desenvolvimento técnico. O acadêmico tinha de buscar mais essas empresas, mas também há o caminho inverso, com as empresas buscando mais a academia, promovendo interação.”

Antônio Paulo Pereira avalia que o engenheiro civil já possui uma série de habilidades, que vêm da formação e da coordenação de equipes. “Hoje a obra é multidisciplinar, e o engenheiro passa pela parte de avaliação de estruturas e avaliação interpessoal.

Quanto mais estiver aberto à comunicação, saber ouvir, entender e buscar conhecimento de campo — e nem sempre conhecimento acadêmico gera habilidades para campo — melhor”, diz. “Hoje, em obras, é possível reportar qualquer problema de forma online, está tudo interligado. A ligação do engenheiro com responsáveis pelas etapas da obra está muito interligada com o uso das tecnologias que temos hoje”.

O profissional precisa se atualizar, sobretudo em relação à digitalização, que está presente em todas as etapas produtivas, da elaboração do projeto até a comercialização de produtos. As novas ferramentas utilizadas no mercado de engenharia civil são os recursos 3D, a realidade virtual, os novos softwares e os mecanismos que facilitam o processo de convencimento.

“O novo conhecimento é saber resolver problemas na hora. Antigamente, havia mais tempo para resolução de problemas. Hoje tem de saber administrar e resolver isso rapidamente. Essas ferramentas ajudam a ter essa noção do que pode ser feito de forma ágil e rápida”, descreve Daniel Garcia.

Mesmo quando se trata da aplicação de técnicas tradicionais na engenharia, como o gabião ou o concreto protendido, existem novas práticas e tecnologias que tornam mais eficiente a adoção dessas metodologias. Por isso, é tão importante manter o aperfeiçoamento profissional.

Quais são as principais tendências no mercado de engenharia civil?

“Existe uma tendência de ordem mundial de cada vez mais trabalhar o processo da industrialização da construção civil”, destaca Antônio Paulo Pereira. “A construção industrializada, normalmente, tem de vir amarrada de um processo de engenharia de soluções, de venda consultiva, de conhecer novos processos de construção. Para isso, a cadeia de negócios vai se preparando.”

No caso do aço, explica, há 10 anos a tendência é aumentar a oferta de serviços contra a comercialização do produto como commoditie. Além disso, desenvolver produtos voltados para maximizar a produtividade do aço e do canteiro. “Isso é o que se espera, tanto dos profissionais da engenharia civil quanto das ações organizacionais, sejam elas táticas ou estratégicas, ”

O mercado de engenharia civil tem perspectivas positivas para 2018. Se você quer estar bem preparado, continue em nosso blog e conheça os maiores desafios e tendências da profissão. Aproveite as oportunidades que estão surgindo!

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