Veja os 4 principais ensaios não destrutivos para concreto!

ensaio não destrutivo concreto

O ensaio não destrutivo para concreto é uma técnica bastante utilizada na construção civil e tem diversas finalidades. Para mostrar quais são as principais e por que valem a pena, conversamos com Leonardo Braga Passos, que é engenheiro, mestre em Engenharia de Estruturas, sócio e diretor da PI Engenharia e Consultoria — empresa com mais de 700 trabalhos desenvolvidos em 13 estados diferentes desde 2006.

Acompanhe o conteúdo e veja como o ensaio não destrutivo para concreto pode dar mais segurança ao seu projeto!

O que são ensaios não destrutivos para concreto?

De forma resumida, ensaios servem para avaliar a condição do concreto e são divididos em três categorias distintas:

  • destrutivos;
  • semi-destrutivos;
  • não destrutivos.

A aplicação do ensaio não destrutivo, que também é conhecido como END ou NDT, se transformou em um dos tópicos mais comentados na engenharia civil ao longo das últimas décadas. Se pensarmos no contexto da indústria da construção civil, a utilização dos ENDs é mais complexa, em virtude da presença de inúmeros materiais, como madeira, metais, alvenaria estrutural e afins.

De acordo com o especialista, “os ensaios não destrutivos têm como principal função reduzir a quantidade de ensaios destrutivos a serem realizados”. Por mais vantajosa que a opção pareça ser, sua aplicação depende de alguns fatores, como:

  • a confiabilidade a respeito dos métodos a serem aplicados;
  • o conhecimento sobre as diferentes formas de aplicação;
  • o aspecto econômico e os custos envolvidos.

Como funcionam?

Para entender o que diferencia os ENDs das outras formas, é preciso comparar as diferentes modalidades de ensaio. “O ensaio destrutivo é qualquer tipo de ensaio que deixa algum tipo de sinal no material que está sendo analisado, alterando permanentemente as características do material”, aponta Leonardo.

Ainda segundo ele, o método não destrutivo “não altera em nada a forma permanente do material analisado, tanto em propriedades físicas, quanto nas mecânicas ou até mesmo dimensionais”. Sendo assim, os danos são imperceptíveis ou nulos.

Os ensaios semi destrutivos, por sua vez, atuam como um meio termo entre as outras duas abordagens, podendo gerar alterações do material, que são pequenas na maioria das vezes. Por isso, não são tratados como destrutivos. 

Quais são os principais ensaios não destrutivos para concreto?

Conforme informado por Leonardo, há uma série de ensaios não destrutivos para concreto: detecção magnética de armadura, inspeção visual, resistividade elétrica, potencial de corrosão, tomografia, ground penetrating radar (GPR), profundidade de carbonatação, esclerômetro, determinação de teor de sulfato e de cloreto e assim por diante.

A seguir, comentaremos de forma de detalhada sobre os principais NDTs — eles podem fazer a diferença em seus próximos projetos. Confira!

1. Inspeção visual

A inspeção visual pode ser tratada como uma vistoria inicial, que deve ser realizada se houver alguma demanda específica ou um problema na estrutura. Caso a estrutura seja antiga ou necessite de uma inspeção normativa, como pontes e viadutos, ela direcionará quais ensaios serão feitos.

“Quando há uma demanda, a inspeção ajuda a visualizar fissuras e a entender o estado da estrutura — não à toa, é uma ótima prática perante construções antigas demais”, explica Leonardo.

Na presença de deformações ou recalques em algum elemento estrutural, deve-se especificar outro tipo de ensaio. “Muitas vezes, devemos recorrer a um ensaio destrutivo para conhecer a resistência do concreto e/ou do aço que está ali”, recomenda o especialista. Portanto, a inspeção visual é o primeiro passo a ser dado, porque direciona o profissional habilitado a escolher o método mais adequado às necessidades apresentadas. 

2. Esclerômetro

Também chamado de martelo suíço ou martelo de Schmidt, o esclerômetro é um instrumento de medição para ensaiar propriedades elásticas ou de força do concreto. Ele serve principalmente para medir a resistência à penetração e à dureza superficial.

É oportuno lembrar que esse ensaio deve deixar o martelo em ângulos retos em relação à superfície, que por sua vez deve ser plana e lisa. Afinal, a orientação do martelo é capaz de mudar a leitura obtida — sua escala é arbitrária, indo de 10 a 100.

3. Velocidade de Pulso Ultrassônico (VPU)

Nesse ensaio, uma onda de som ultrassônica é projetada em um material. O objetivo é medir a sua velocidade de propagação, algo que depende não só da natureza do material, mas também de sua porosidade, da presença de água e de outros fatores.

4. Tomografia

A tomografia é muito usada por viabilizar verdadeiros diagnósticos do concreto. Eles podem ser usados a fim de aprimorar o controle de qualidade, ajudando a tomar decisões sobre serviços de reabilitação ou reparo das estruturas. Apesar disso, o usuário precisa ter uma experiência significativa com o uso das tecnologias relacionadas para detectar falhas.

Quando fazer um ensaio não destrutivo?

“Há algumas normas que especificam a periodicidade para fazer ensaios e/ou inspeções”, aponta Leonardo. Pontes e viadutos, por exemplo, estão atrelados à NBR 9452 — “nesse caso, temos uma periodicidade que deve ser respeitada”, conclui.

De modo abrangente, existem quatro tipos de inspeção: cadastral, rotineira, especial e extraordinária. Dependendo da norma, a inspeção rotineira precisa acontecer em períodos não superiores a um ano, porque o objetivo é estabelecer controle sobre uma estrutura de grande porte. Em construções residenciais e comercias, as regras variam de acordo com a cidade e/ou estado.

Quais são as vantagens oferecidas pelos ensaios não destrutivos do concreto?

Além da segurança que proporcionam para o projeto, eles integram a chamada engenharia diagnóstica, que se vale dos mesmos pressupostos da medicina para avaliar a “saúde” de uma obra. A partir disso, ela possibilita tomar as precauções necessárias e buscar as saídas mais adequadas para resolver eventuais problemas. “O objetivo do ensaio”, conceitua Leonardo, “é entender as características da estrutura, bem como seu estado de conservação”.

O especialista também faz um importante alerta: “os NTDs não foram pensados para substituir destrutivos de maneira integral — eles se complementam e cumprem diferentes funções”. Enfim, é fato que os ensaios não destrutivos são de extrema relevância para a construção civil. Não é por acaso que a atuação do setor no Brasil tem se beneficiado tanto dessas técnicas.

Agora que você já sabe o que é um ensaio não destrutivo para concreto, que tal conferir as vantagens e desvantagens da aplicação de concreto projetado?

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