nbr 15.575

NBR 15.575: como a norma de desempenho afeta a construção civil?

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O desempenho da construção civil depende de uma série de fatores, associados ao cumprimento de requisitos de uso e operação nos sistemas estruturais, de piso, coberturas, dentre outros. Nesse sentido, a NBR 15.575 cumpre um papel fundamental.

Para ajudar a entender o assunto com maior profundidade, entrevistamos White Santos, Professor do Departamento de Materiais e Construção Civil – DEMC da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Ele fala sobre as principais diretrizes da norma, do padrão de excelência esperado pelo mercado e de diversos outros assuntos.

Caso deseje entender mais sobre o tema, confira as informações a seguir!

O que é a NBR 15.575?

Em poucas palavras, a NBR 15.575 (Norma de Desempenho de Edificações Habitacionais) relaciona o uso de produtos e de equipamentos com a qualidade de uma edificação depois de pronta. Ela orienta os projetos e as construções civis. Desde seu surgimento, em 2013, a norma traz diversas transformações à área — indo além da forma com que o imóvel foi construído.

Uma delas é a preocupação com os resultados que a edificação deve trazer após estar pronta. É necessário apostar no cumprimento de requisitos mínimos de qualidade, de segurança e de habitabilidade em um imóvel — e isso nem sempre foi uma prioridade para os profissionais.

Santos fala sobre o assunto. “A norma de desempenho traz como premissa normativa a integração entre os diferentes processos envolvidos na construção civil. Até então, nós víamos livros indicando boas práticas para poder melhorar a eficiência, adequar as construções e evitar erros. Mas muita gente não considerava esses pontos como exigências. Quando eles são colocados em uma norma, chamam mais atenção”, diz o professor.

Quais são suas principais diretrizes?

As diretrizes da NBR 15.575 incluem diversos requisitos, entre eles:

  • desempenho térmico, que fala sobre uma condição mínima de habitabilidade térmica do usuário no uso diário do local;
  • estanqueidade da água, que trata da proteção contra umidade e da proliferação de microrganismos;
  • saúde, higiene e qualidade do ar, que visam garantir as condições de salubridade aos que frequentam o espaço;
  • desempenho acústico, atenuando os efeitos dos ruídos externos e dos demais usuários da edificação;
  • funcionalidade e acessibilidade, aprimorando a experiência de espaço e de acesso;
  • desempenho lumínico, que trata da iluminação;
  • conforto tátil e antropodinâmico, que considera princípios ergonômicos etc.

Santos também traz sua visão sobre a consequência das diretrizes da NBR 15.575 para os profissionais. Confira os principais pontos abordados por ele!

Integração

O primeiro ponto citado pelo entrevistado é muito importante. Ele fala da integração entre os diferentes profissionais da área para criação de um projeto eficiente.

“Em primeiro lugar, é preciso considerar a necessidade de diferentes profissionais das áreas de engenharia e arquitetura trabalharem juntos. Temos os profissionais da arquitetura, estrutura, execução, instalações hidráulicas, elétricas e gás que já fazem isso. Devemos envolver outros profissionais, como consultores de acústica, térmica e lumínica que, muitas vezes, ainda não participam da confecção do projeto, mas que precisam auxiliá-lo para se ter um empreendimento efetivo”, aponta Santos.

O profissional complementa: “Então, aquela ideia de que um engenheiro ou um arquiteto vai simplesmente executar um projeto acabou. A norma ajuda a perceber que existem tantas coisas a se saber antes de projetar, que a atuação de mais de um profissional se torna fundamental”.

Nesse sentido, o professor ainda inclui o papel dos fornecedores. “Quem fornece o piso, o cimento ou qualquer outro material também se torna corresponsável, junto às construtoras”, ele afirma.

Condições de uso de operação

A segunda diretriz apontada por Santos é o foco nas condições de uso e de operação. “Desde o início do projeto, é preciso pensar em como será a manutenção daquela construção. Ou seja, teoricamente, a obra só acaba 50 anos após entregue.”

Níveis mínimos de desempenho

Por fim, ele aborda os níveis mínimos de desempenho e de acompanhamento de obra. “A norma estipula três níveis: mínimo, intermediário e superior. Apesar de, muitas vezes, as pessoas entenderem a norma como algo que traz mais conforto para o usuário, estamos falando de habitabilidade. A própria definição do conforto térmico diz que a temperatura não pode ser maior do lado de dentro do que de fora, por exemplo.”

Ele finaliza: “O que a norma propõe é uma melhoria das condições precárias que já vemos hoje em muitas construções. A NBR 15.575 serve como parâmetro balizador. Ela conta com uma sequência de exigências que podem efetivamente ser utilizadas, de modo a validar um determinado sistema construtivo — seja um tipo de parede, seja um pilar, por exemplo”.

Como essa norma tem mudado o cenário atual da construção civil?

De maneira geral, a NBR 15.575 é uma norma recente. Isso significa que seu surgimento, em si, já foi suficiente para levantar questionamentos sobre os requisitos a serem seguidos na qualidade de uma edificação.

Contudo, a necessidade de conformidade com as diretrizes tem despertado algumas mudanças secundárias. Elas foram abordadas por Santos.

Cultura da inovação

O professor acredita que a necessidade de se manter constantemente atualizado com o mercado também foi afetada pela norma. “Muitos profissionais ainda têm dificuldades em lidar com informática ou incorporar novas tecnologias, por exemplo. Afinal, muitas vezes é preciso desembolsar um recurso mais elevado — e a pessoa acaba renunciando a aquisição de equipamentos ou o aprimoramento profissional”, aponta o entrevistado.

Essa é uma questão interessante, visto que, para garantir conformidade, os profissionais precisam otimizar processos industriais. Assim, passam a buscar por meios alternativos, inovadores e modernos para atingirem seus propósitos.

Sustentabilidade

Outro ponto abordado por ele é a discussão sobre sustentabilidade. Ele aponta que esse termo não fala apenas do meio ambiente, mas também de termos sociais e econômicos. “Por exemplo, as primeiras estimativas de custos apontavam que as obras ficariam em torno de 8% mais caras. Porém, ao construir, obtém-se uma redução de 12% do valor.”

Ele explica: “Seguir a norma, gastar mais tempo com projeto e investir em planejamentos que tragam conformidade minimiza erros e gera uma redução de custos. Então, a ideia da norma é essa: você gastará mais tempo com planejamento, mas, quando for construir, construirá aquilo que já foi projetado. Assim, a chance de erros é menor. Já na questão ambiental, tende a gerar uma redução de resíduos”.

Melhorias contínuas

De maneira geral, a norma de desempenho é um avanço. Ela permite que, mesmo por meio de seus padrões mínimos, já seja possível melhorar o cenário atual. Afinal, ela traz regulamentações que fazem os profissionais pensarem em otimização desde o projeto até a habitabilidade do usuário final.

Nesse sentido, Santos finaliza: “A norma NBR 15.575 é um divisor de águas. Ela traz a integração entre os projetistas, trabalha com informações mais precisas e atua de forma integrada, com foco no cliente”. Sendo assim, em especial sendo um profissional da área, é importante se manter atento a ela.

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