Gabião: o que é, quais os tipos e como utilizá-lo?

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Entre as alternativas para contenção e controle de erosão em obras civis, o gabião tem se consolidado como uma opção muito vantajosa, por oferecer praticidade, flexibilidade, permeabilidade e resistência.

Sua fabricação é feita com telas de malha hexagonal de dupla torção que, quando preenchidas com pedras, formam elementos prismáticos ou cilíndricos, usados em obras geotécnicas e hidráulicas.

Neste artigo, apresentaremos quais são os tipos de gabião, os seus diferenciais e as diversas aplicações. Acompanhe!

Tipos de gabião

Para as obras realizadas com essa estrutura de contenção, há quatro possibilidades, como veremos a seguir.

Gabião tipo caixa

É uma peça com formato de paralelepípedo, constituída de telas em malha hexagonal de dupla torção que formam a base, as paredes verticais e a tampa — pode ser que a tampa seja fornecida separadamente.

As paredes verticais laterais são presas à tela de base e às demais paredes por processo mecânico de torção ou por um fio em espiral contínua, o que garante perfeita união e articulação entre as telas.

Normalmente, a caixa é dividida em células ao longo do comprimento por diafragmas colocados a cada metro e presos à peça principal pelo fio em espiral contínua.

Gabião tipo colchão

As peças têm formato de paralelepípedo de pequena altura, de volumetria semelhante a de um colchão e são constituídas de telas em malha hexagonal de dupla torção, formando a base, as paredes verticais e as extremidades.

O colchão é dividido em células, ao longo do comprimento, por diafragmas colocados a cada metro e presos à peça principal por um fio, em espiral contínua. A tampa de tela é fornecida separadamente.

Os colchões são normalmente para revestimento de canais. Em obras hidráulicas, estruturas de contenção podem ser erguidas com gabiões tipo caixa tendo na parte anterior uma faixa em colchão a fim de evitar que o processo de erosão hídrica atinja a base do muro.

Gabião tipo saco

O gabião saco é constituído de um único pano de tela em malha hexagonal de dupla torção retangular que, no momento da montagem, é enrolado de modo a unir os lados maiores do retângulo, assumindo a forma cilíndrica.

Nas bordas livres das extremidades, passa alternadamente pela malha um fio de diâmetro maior que aquele usado na malha da tela, a fim de reforçar as extremidades, possibilitando que elas sejam apertadas e a peça formada.

Os gabiões tipo saco são empregados em leitos de cursos d’água e como elementos de fundação de muros de gabiões.

Rede para proteção de encosta

A mesma tela com a qual são produzidos os gabiões pode ser utilizada para evitar a queda de pedras e detritos de encostas, além de auxiliar no desenvolvimento de vegetação. As malhas hexagonais para encostas, associadas com geotêxteis ou biomantas são comumente usadas em obras de controle de erosão.

Ela deve ser desenrolada sobre as escarpas, costurada nas telas vizinhas e ancorada em bases de concreto, por exemplo. Dependendo do tipo de solicitação envolvendo a estabilização de encostas com riscos de queda de blocos rochosos as telas especiais de alta resistência e sistemas específicos são requeridos.

Diferenciais das obras em gabiões

Ao oferecer uma solução mais barata, flexível e drenante, os gabiões têm uma série de vantagens para estruturas de contenção, como veremos a seguir.

Estruturas permeáveis e drenantes

A permeabilidade e seu efeito drenante é a característica funcional de maior destaque em uma estrutura de gabião. Essa propriedade permite o fluxo de águas de percolação do maciço, aliviando o empuxo hidrostático sobre o sistema de contenção.

Outro benefício da capacidade de drenar a água interna e de eliminá-la externamente é a contribuição para a consolidação do solo, a favor da segurança e eficiência da obra.

Simplicidade executiva e eficiência

O emprego de pedras justapostas no interior de cestos em obras de contenções é algo milenar. Recipientes aramados preenchidos por pedras remontam ao final do século XIX, concepção de obra que perdura até os dias de hoje justamente pela simplicidade e eficiência.

O mix de gabiões é representado pelos produtos caixa, colchão, saco e rede. E, para cada agrupamento, há variações dimensionais, proporcionando aos gabiões versatilidade de aplicações e projetos bem-adaptados.

São diversas as facilidades oferecidas:

  • os gabiões vazios são facilmente transportados até o local da obra e manejados no canteiro de forma simples;
  • com orientação, as estruturas de gabiões podem ser montadas e erguidas com mão de obra local;
  • o material de enchimento (pedras) pode ser obtido no local da obra ou nos arredores;
  • a construção é predominantemente seca, sem envolvimento de concretos e argamassas;
  • pode ser executado mesmo sob condições climáticas adversas, inclusive sob lâmina d’água;
  • após a montagem, preenchimento e fechamento de cada unidade de gabião, ela já está apta a cumprir sua função estrutural.

Para que sejam alcançados os resultados desejados com essa estrutura, é válido ressaltar que praticamente todos os tipos de pedras podem ser empregados no preenchimento dos gabiões, desde que:

  • não sejam friáveis e porosas;
  • apresentem tamanho superior à malha da gaiola e compatível com o manuseio;
  • apresentem geometria favorável a um enchimento uniforme (bom grau de empacotamento).

Flexibilidade estrutural e tenacidade

As estruturas de gabiões apresentam flexibilidade estrutural e são muito eficientes frente aos processos de acomodação do solo, aos recalques diferenciais e às deformações impostas por esses movimentos.

Ao contrário das estruturas rígidas ou semirrígidas, passíveis de ruptura mediante recalques ou movimentos diferenciais, os gabiões são concebidos por uma estrutura articulada e relativamente flexível.

A vantagem é que, mesmo sofrendo deformações, a estrutura de contenção em gabiões continua a manter sua capacidade de carregamento ou suporte do maciço.

Essa flexibilidade estrutural pode constituir um recurso da engenharia geotécnica frente a determinados tipos de obras, assentes sobre superfícies irregulares e/ou solos com restrições técnicas, onde outras soluções podem ser também eficientes, mas com um custo significativamente mais elevado.

Monoliticidade e resistência

As estruturas de gabiões são normalmente robustas e monolíticas, atuando pela ação do próprio peso, sendo capazes de resistir aos empuxos do maciço para o qual foram projetadas.

O somatório de cada unidade de gabião, com suas faces e diafragmas internos e a interligação de todas as partes, resulta em um efeito rede.

Durabilidade

Uma obra de gabião se adapta a praticamente todos os ambientes construtivos comuns. As pedras naturais empregadas nesse tipo de obra têm baixíssimo grau de desgaste, o que, em termos práticos, não apresenta restrições à durabilidade das estruturas de gabiões.

As telas são constituídas com arame de Aço Carbono galvanizado com uma pesada camada de liga eutética de Zinco-Alumínio, com requisitos técnicos prescritos por normas nacionais e internacionais.

Para aplicações mais críticas (sob efeito de lâmina d’água ou agente agressor sob o ponto de vista da corrosão, por exemplo), há o recurso adicional da camada de polímero (PVC) sobre o revestimento metálico.

Ciclo de vida favorável

Em termos de análise do ciclo de vida de uma estrutura de gabião, podem ser destacados como pontos positivos:

  • estruturas duráveis;
  • baixíssimo nível de manutenção;
  • consumo energético relativamente baixo;
  • as pedras de mão empregadas passam por um processo industrial básico, extração e fase inicial de britagem. Há possibilidade de serem obtidas naturalmente, no caso de seixos ou outros depósitos naturais, também sob licenciamento de exploração mineral;
  • a tela de aço é um material reciclável;
  • estrutura passível de remoção e reaproveitamento;
  • estrutura passível de incorporação total ao meio ambiente, mediante processo de ocupação dos vazios entre as pedras e estabelecimento de vegetação;
  • baixo impacto ambiental durante a construção, uso e destinação final.

Integração com o meio ambiente, paisagem e arquitetura

Por utilizarem um recurso natural pouco alterado — as pedras —, os projetos de engenharia envolvendo obras de gabiões acabam se enquadrando à paisagem local. Eles oferecem concordância topográfica ao relevo disponível, integração da fachada em pedras com o tipo de solo regional e permitem um processo de revegetação, mascarando a intervenção da obra. É muito comum o estabelecimento de plantas trepadeiras nas faces dos muros de gabiões, formando cortinas verdes.

Em projetos especiais, as estruturas de gabiões acabam se destacando como elemento arquitetônico diferencial. De acordo com a composição mineralógica, diferentes tipos de pedras — granito, calcário, basalto, seixos, canga de minério de ferro — podem ser empregados, proporcionando variações de cores e texturas na face das estruturas de gabiões.

Em função da geometria das pedras, do grau de empacotamento destas no interior das gaiolas e de outros procedimentos construtivos, a face frontal das estruturas de gabiões pode apresentar um maior ou menor grau de regularidade.

Devido às muitas possibilidades de enchimento, estruturas de gabiões vêm sendo empregadas como elementos arquitetônicos na construção de muros externos estilizados, como elementos do paisagismo de exteriores e até mesmo “paredes” de interiores.

Funcionalidades e aplicações do gabião

Diante das vantagens apontadas, a utilização de gabião pode ser feita com as seguintes finalidades:

  • contenções em obras viárias;
  • muros de gravidade em obras prediais;
  • contenções ancoradas ao maciço;
  • obras de retificação de córregos e canalizações;
  • obras de drenagem e controle de erosão em mineração;
  • escadas dissipadoras de energia hidráulica;
  • contenção de maciços rochosos;
  • contenção em platô de obra industrial;
  • revestimento de bacias;
  • estruturas de contenção e suporte.

O gabião é uma solução utilizada na construção civil desde o século XIX. Todos os arames empregados nas estruturas de gabiões devem estar em conformidade com os requisitos técnicos da Norma Brasileira ABNT NBR 8964:2013. Portanto, é necessário ter a devida atenção com o material utilizado.

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