Conheça as alternativas estruturais para redução de pé-direito de subsolos

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Entenda como é possível reduzir o pé-direito de subsolos para otimizar o espaço e diminuir custos da obra sem abrir mão da qualidade!

Um dos desafios de quem trabalha no mercado de engenharia civil é a construção otimizada de subsolos em edificações.

Isso porque esse tipo de estrutura requer atenção especial por causa das escavações e da implementação dos alicerces que sustentarão os pavimentos superiores.

Também é preciso ter cuidado com os gastos, objetivando sempre uma boa relação custo-benefício. Nesse caso, reduzir o pé-direito de subsolos pode ser uma solução econômica.

Contudo, isso deve ser feito com cuidado para não prejudicar as bases da obra, tampouco gerar insatisfações por parte dos clientes e até mesmo o descumprimento de normas.

Pensando nisso, elencamos alguns esclarecimentos sobre como é possível diminuir pé-direito em subsolos com base em materiais e peças mais eficientes. Confira!

O que é um pé-direito?

Pé-direito consiste na distância piso à piso ou teto à teto em um local construído. Há também o pé-direito útil, que tem a ver com a altura livre entre o piso e o teto (em estruturas com vigamentos na circulação ou até mesmo instalações elétricas e hidráulicas, o mesmo é medido do piso até a interferência).

Quais os limites mínimos para a altura do pé-direito em construções?

A norma ABNT NBR 15575 estabelece os limites mínimos para altura do pé-direito de acordo com o ambiente construído. Segundo ela, a medida não pode ser menor do que 2,50 m, no entanto, existem casos em que é permitido 2,30 m, como em:

  • atessalas;
  • halls;
  • corredores;
  • instalações sanitárias;
  • despensas

Além disso, a norma aponta que:

Nos tetos com vigas, inclinados, abobadados ou, em geral, contendo superfícies salientes na altura piso a piso e/ou o pé-direito mínimo, devem ser mantidos pelo menos 80% da superfície do teto, permitindo-se na superfície restante que o pé- direito livre possa descer até o mínimo de 2,30 m. (ABNT NBR 15575).

Todavia, cada estado tem adotado uma diretriz para a questão da vaga de garagem em subsolo, embora utilizem, ainda, como principal referência essa norma para evitarem eventuais problemas.

Afinal, nela são estabelecidos os limites mínimos de pé-direito que devem ser respeitados para a boa circulação de pessoas e carros nos ambientes.

Quais as possíveis alternativas estruturais para redução de pé-direito de subsolos?

Primeiramente, é possível focar na redução da altura livre útil em vez do valor mínimo do pé-direito. Porém, mesmo considerando a altura livre de circulação, é possível usar a protensão como forma de diminuir o pé-direito, porque pode reduzir a estrutura acima dessa altura livre.

Rubens Albuquerque, diretor da EVEHX Engenharia, fornece um exemplo de como isso pode ser feito:

“Comumente, os vãos entre pilares do subsolo têm em torno de 7 m — para 3 vagas de garagem nas construções comerciais.

Para vencer esse vão, estruturas convencionais de concreto armado utilizam vigas de em torno de 60 cm a 70 cm. Somando-se a altura livre de 2,5 m com a viga, temos pelo menos 3,10 m de pé direito (precisa-se de mais pé direito, caso haja passagem de instações abaixo das vigas).”

Contudo, Rubens aponta uma solução para diminuir essa medida: “se eu partir desses mesmos vãos e carregamento, mas mudando a solução de concreto armado para protendido, consigo reduzir a espessura da estrutura, como, por exemplo, trocar a estrutura reticulada com vigas de 60 cm por uma laje plana protendida de 20 cm”.

“Essa redução de 40 cm de espaço ocupado pela estrutura pode, então, ser usada ou para diminuir o pé direito ou para aumentar o pé direito útil.

No nosso exemplo, o pé-direito passaria para 2,50 m mais 20 cm de laje, ou seja, 2,70 m (precisa-se de mais pé direito, caso haja passagem de instações abaixo das vigas)

Essa é uma maneira de diminuir o pé-direito das vagas de garagem não só em subsolos, como também em sobressolos. Rubens também explica que no concreto protendido é aplicada uma força de compressão prévia na estrutura para que equilibre os esforços de tração nela e seja gerada uma força de alívio contrária ao carregamento.

Isso faz com que seja possível “vencer” um carregamento e um vão com menos seção de estrutura, isto é, com estruturas mais esbeltas.

Dessa forma, em muitos casos, conseguimos eliminar vigas altas, trabalhando com lajes planas apoiadas diretamente em pilares, o que, além de reduzir o pé direito dos estacionamentos, facilita a montagem das fôrmas e armações.

Outras alternativas estruturais para redução de pé-direito em subsolos

Além do exemplo citado, há várias alternativas estruturais para diminuir pé-direito em garagens, como:

  • utilização de estruturas metálicas, que são vigas mais esbeltas do que as de concreto armado e que, portanto, têm altura menor. Elas ajudam a ganhar pé-direito. Além disso, devido ao aço ser mais resistente, com menos tensão, trabalha-se somente com esse material;
  • aplicação de estruturas de concreto pré-moldadas, em que é utilizada a protensão, mas em fábrica. Em uma solução pré-fabricada, o raciocínio sobre redução de pé-direito é o mesmo de uma protensão moldada in loco. Isso porque se utiliza a protensão para reduzir as estruturas e se trabalhar com peças mais esbeltas.

Quais as vantagens da redução do pé-direito em subsolos?

A redução do pé-direito de garagens traz impactos econômicos diretos e indiretos. No caso do subsolo, é reduzida a escavação (haverá menos altura para escavar) e o gasto com contenção do próprio subsolo, gerando economia.

Para o sobressolo, uma vantagem percebida é a chance de ganhar pavimentos extras. Isso, aliás, pode servir como mais um argumento de venda, pois dependo da redução de pé direito, existe a possibilidade de acrescentar mais pavimentos para comercializar.

Considerando que o concreto armado usa um sistema de laje e de vigas, enquanto que o protendido pode em muitos casos atuar com um sistema somente de lajes sem as vigas, no segundo caso fica mais fácil a passagem de instalações elétricas e hidráulicas sob a estrutura.

Dessa forma, não é necessário desviar das vigas e passar por baixo, o que diminui o pé-direito, nem furar as vigas, o que é trabalhoso e gera gastos a mais.

“Como resumo, utilizando a protensão para eliminar as vigas de uma laje, é facilitada a compatibilização das instalações com a estrutura.”, explica Rubens.

O que deve ser observado para a delimitação correta do pé-direito?

É essencial reforçar a necessidade de se ter atenção às normas e de se verificar a destinação ou utilização do empreendimento. Isso para ajustar o pé-direito de subsolos da melhor forma possível, tanto em termos financeiros quanto por questões estruturais e de segurança, pois há vagas de garagens pequenas, médias e grandes.

Em outras palavras, não dá apenas para trabalhar com o mínimo sempre, embora seja possível delimitar uma medida limite para cada tipo de tamanho de vaga desde que respeitadas as normas e observada a demanda de carros que o edifício receberá. Isso é vital para minimizar problemas, como a impossibilidade de guardar veículos como vans, caminhonetes, pickups etc. por causa de poucos centímetros faltantes.

“O não cumprimento das normas técnicas podem prejudicar o conforto do usuário, como, por exemplo, vagas excessivamente estreitas e pé direito útil muito baixo, o que dará margem a processos do consumidor contra a construtora”, alerta Rubens.

“É recomendado que a avaliação de qual solução estrutural será utilizada não deva ser feita apenas somando os custos dos insumos de cada opção, mas sim, considerando seus impactos técnicos e econômicos em todas as outras etapas do empreendimento”, conclui ele.

Vale reforçar que delimitar adequadamente o pé-direito de subsolos é um processo que envolve não só cálculos e normas legais, mas também as necessidades de uso dos que circularão nas dependências desse ambiente.

Gostou do nosso artigo? Que tal agora expandir seus conhecimentos aprendendo um pouco mais sobre a importância de tubos de concreto, especialmente no saneamento básico?

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