A tecnologia na construção civil e seus desdobramentos

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Acompanhar a tecnologia na construção civil é essencial para qualquer profissional da área. Você sabe qual é a importância da inovação no setor? Este artigo é resultado da conversa com dois especialistas no assunto, que dividiram conosco as tecnologias que consideram mais relevantes do passado, presente e futuro da construção civil.

“A construção civil, como atividade de engenharia, é indissociável da inovação tecnológica”, assim Eder Santin, jornalista especializado no ramo e autor do livro História, desenvolvimento e tecnologia na construção civil em São Paulo, inicia a conversa sobre a importância da tecnologia no setor.

“Se considerarmos que a tecnologia envolve o estudo e o domínio de processos, métodos, materiais, equipamentos e capacitação profissional de uma atividade humana, podemos dizer que a inovação é uma característica natural e necessária da construção civil, sendo a responsável por sua constante evolução. Foi a inovação tecnológica que permitiu a construção de edifícios cada vez mais altos, complexos e seguros”, continua.

Essa relação entre inovação tecnológica e construção civil tampouco é nova. Íria Doniak, presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC) ressalta que conceitos utilizados até hoje na engenharia datam de milênios atrás:

“Aspectos conceituais da industrialização, como coordenação modular, engenharia de materiais e racionalização já estavam presentes na complexidade das obras da Grécia Antiga ou da Arquitetura Gótica”.

Neste artigo, você vai entender melhor por que a inovação é tão relevante na construção civil, relembrar algumas tecnologias históricas e conhecer as principais tendências do setor para os próximos anos.

Por que a tecnologia é tão importante na construção civil?

Em primeiro lugar, é interessante diferenciar ideias inovadoras do efetivo uso da tecnologia na construção civil. Uma boa ideia só se torna realmente uma tecnologia funcional quando construtoras, engenheiros e usuários da obra validam que ela é interessante socioeconomicamente — ou seja, quando traz impactos sociais relevantes.

Um exemplo é o Light Steel Frame, que chegou ao Brasil nos anos 1990, após algumas décadas de aplicação no exterior. Trazido ao país inicialmente por construtoras mais arrojadas, o sistema construtivo foi enxergado com certa desconfiança, a princípio.

Mas, ao permitir executar obras mais rapidamente e com menos desperdício, provou-se um recurso capaz de trazer mudanças socioeconômicas interessantes e se consolidou como uma tecnologia na construção civil.

Os vetores do desenvolvimento tecnológico

Seja na construção predial ou de infraestrutura, há dois principais vetores que movimentam a busca pelo desenvolvimento tecnológico: a racionalização e a industrialização da construção civil.

A racionalização envolve otimizar a utilização de mão de obra e de materiais e também diminui a geração de resíduos ou impacto ambientais.

“A busca por produtividade é o grande desafio da construção civil atual. E essa busca se traduz, basicamente, em reduzir o desperdício em todos os sentidos: recursos humanos, materiais empregados na obra, equipamentos ociosos e também resíduos que possam ser evitados”, acredita o jornalista Eder Santin. Para isso, as empresas têm reforçado o planejamento e gerenciamento de todas as atividades que desenvolvem.

Já a industrialização surge para fortalecer o controle de qualidade, rastreabilidade e especialização da mão de obra, entre outros pontos

“Na essência, a industrialização significa transformar os canteiros de obras em uma central de montagem, e é o estágio mais avançado da racionalização construtiva. Ela traz mais produtividade como benefício, aliando qualidade e tecnologia”, afirma Íria Doniak.

E quais são as técnicas e máquinas inovadoras na construção civil que vieram ao encontro dessas necessidades, ao longo do tempo? Confira algumas no próximo tópico!

Algumas tecnologias históricas

No livro História, desenvolvimento e tecnologia na construção civil em São Paulo, o jornalista Eder Santin estudou a evolução tecnológica do setor desde o século XIX na capital paulista. Na perspectiva dele, a construção civil foi agente de transformação e também beneficiária das profundas mudanças socioeconômicas por que o mundo passou durante o século XX.

Ele cita algumas tecnologias que observou emergirem no Brasil: “Nos últimos 25 anos, acompanhando a globalização, o leque de materiais e de tecnologias se ampliou bastante, principalmente por meio da construção seca — que envolve a industrialização de componentes fora da obra —, sistemas de formas (para concreto), estruturas mistas (concreto e aço) e sistemas prediais cada vez mais sofisticados”.

Todas as áreas da construção civil e etapas construtivas podem se beneficiar de inovações tecnológicas. Confira tecnologias que contribuem para a racionalização e industrialização de algumas delas:

Atividades preliminares

A etapa de preparação do terreno se beneficia de soluções na área de geomática ou topografia. É possível contar com tecnologias como imagens georreferenciadas obtidas por drones ou scanners na realização de mapeamentos.

Esse avanço pode ter um valor pequeno para obras unifamiliares pequenas, por exemplo, mas tem um valor significativo para empreendimentos como condomínios horizontais, seja para definição de projetos, seja para acompanhamento de obras ou avaliação de impactos.

Os estudos de solo também têm evoluído, e hoje existem diversos ensaios especiais de campo que se somam ao tradicional SPT (Standard Penetration Test), trazendo um maior grau de informação sobre resistência e deformabilidade do solo, por exemplo.

Fundação

No campo das fundações, a construção civil assistiu ao surgimento de opções como o radier, que dispensa as grandes escavações para produção seriada de casas de um ou poucos pavimentos.

Para perfurações mais profundas e com diâmetros cada vez maiores, surgiram as hélices contínuas — popularizadas no Brasil durante a década de 1990, mas presentes nos Estados Unidos desde os anos 50 — e, mais recententemente, as estacas ômega.

Estrutura

No que se refere às estruturas, o destaque fica por conta do concreto pré-fabricado. Íria Doniak relembra que a primeira grande obra brasileira a utilizar esse sistema construtivo foi o Hipódromo da Gávea, no Rio de Janeiro, ainda em 1926. Ele ganhou ainda mais popularidade nos anos 1980 e 1990.

Consolidou-se nos últimos 10 anos, viabilizando grandes obras de infraestrutura. Segundo a presidente da ABCIC, é uma tecnologia de crescente relevância no país, incluindo empresas com mais de 50 anos no setor:

“Atualmente, evidencia-se a grande aplicabilidade da pré-fabricação em concreto em obras industriais, comerciais, habitacionais e de infraestrutura (pontes, viadutos, passarelas, portos, aeroportos e na área de energia), além da vasta aplicação em complexos esportivos como estádios e arenas. A indústria brasileira está apta ao atendimento desde a fundação à fachada com desenvolvimento tecnológico compatível a empresas internacionais desse segmento”.

Também vale destacar a utilização do concreto autoadensável (CAA), que agiliza a construção e otimiza o acabamento final da estrutura — aprimorado também pelas formas metálicas. E, claro, as soluções de pisos jointless e de concreto reforçado com fibras de aço, que já foram assuntos de posts completos no blog.

Íria também destaca que outra possibilidade de industrializar na construção civil é a adoção de estruturas metálicas ou combinando sistemas de aço e concreto, extraindo o máximo potencial de cada sistema construtivo.

Fechamento externo

Íria destaca que os pré-fabricados também estão presentes no fechamento externo. Nas palavras dela, como eles permitem que a estrutura tenha grandes vãos livres, a arquitetura pode criar projetos de acordo com a exigência do cliente, utilizando divisórias leves para definição da disposição interna, que pode ser facilmente modificada.

“A agilidade de construção é uma grande vantagem desse sistema, uma vez que os painéis externos portantes e de vedação substituem os elementos de vedação tradicionais, compostos de tijolos e blocos, minimizando também os desperdícios”, afirma Doniak.

Divisórias

As divisórias de gesso acartonado (drywall) tornaram-se uma opção para não carregar as fundações e a estrutura da obra, além de se alinharem a uma tendência: a possibilidade de modificações da planta baixa pelo próprio proprietário.

Íria ressalta que, assim como a utilização dos painéis de concreto pré-moldado e do Light Steel Frame, o drywall surge como uma solução para industrializar a construção civil.

Assim como a utilização dos painéis de concreto pré-moldado (portantes e/ou de vedação; com ou sem efeito arquitetônico) e do Light Steel Frame, o drywall surge como uma solução para industrializar a construção civil.

Íria ressalta que o volume 1 do Manual da Construção Industrializada, lançado em 2015 pela ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), traz mais conceitos sobre cada sistema citado.

Instalações

Ainda com foco na racionalização e industrialização, foram desenvolvidos os banheiros prontos — cuja produção acontece na fábrica. Ele é içado e instalado revestido e pronto para uso na obra, reduzindo o tempo de construção significativamente.

Acabamentos

Já em 2012, a Associação Brasileira de Cimento Portland notava que a aplicação tradicional de argamassa permitia ao profissional cobrir 14 m² em um dia, enquanto a argamassa projetada cobria 29 m² no mesmo período. É mais uma solução de racionalização, diminuindo o desperdício de material, além de otimizar as propriedades do revestimento com a pressão uniforme.

Outros destaques entre os acabamentos são o ACM (Aluminium Composite Material) — que traz as vantagens de uma instalação rápida e de um material muito leve e com bom isolamento térmico — e as portas prontas, que aceleram a montagem na obra, dispensando instalação de dobradiças e batente no local.

Planejamento e gestão

O jornalista Eder Santin destaca que a tecnologia da informação vem se mostrando um caminho irreversível para a otimização de processos e para o gerenciamento de obras e empresas. Nesse sentido, ele ressalta a utilização do BIM (Building Information Modeling) e outras tecnologias:

“Outra vertente promissora, na minha opinião, é a IoT (Internet das Coisas). A possibilidade de mapear (por sensores) o comportamento de materiais, equipamentos ou serviços, e de analisar esses dados com Big Data deve alimentar continuamente as áreas de desenvolvimento de produtos e projetos”.

Como se preparar para novas tecnologias na construção civil

Eder Santin e Íria Doniak concordam que a preparação dos profissionais da construção civil para lidar com as novas tecnologias no setor envolve um esforço de educação.

A presidente da ABCIC acredita que o mercado contemporâneo exige profissionais que pensem a obra de forma estratégica, capazes de analisar aspectos que envolvem logística, fluxo de materiais dentro do canteiro de obras, evolução tecnológica, normas técnicas, entre outros pontos relacionados a novos métodos de construção e que requerem maior grau de planejamento.

“A principal demanda do mercado, pelo que tenho acompanhado das empresas, é por profissionais focados em gestão. Esse perfil profissional seria o mais indicado para as demandas de planejamento de produção, controle de processos e de custos e também gestão de pessoas”, reforça Santin.

E o jornalista dá mais uma dica: “Claro que conhecer novas tecnologias é fundamental. A escola é a porta de entrada para conhecer novidades, mas é recomendável também participar de eventos técnicos e acadêmicos, frequentar feiras setoriais e fazer benchmarking”.

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