gado leiteiro

Os cuidados necessários na criação do gado leiteiro

A criação de gado leiteiro requer atenção e cuidados para que se alcance um produto de qualidade e maior produtividade. Para isso, conhecer os principais sistemas adotados no manejo do plantel e as medidas mais importantes é a iniciativa que todo produtor deve tomar.

Do mesmo modo, como o gado leiteiro é suscetível a diversas doenças, a atenção à sanidade do rebanho também deve ser permanente. Em especial, uma boa alimentação precisa ser garantida.

Continue a leitura e descubra os cuidados necessários na criação do gado leiteiro.

O espaço de confinamento do gado leiteiro

Confinamento é um sistema de criação de gado no qual os animais são separados em lotes em suas respectivas áreas restritas — os piquetes, que resguardam a pastagem para gado leiteiro. A alimentação confinada é constituída essencialmente por uma dieta balanceada oferecida nos cochos.

O objetivo da criação de gado confinado é aumentar a eficiência na produção do leite. Para isso, procura-se garantir um ambiente em que estejam disponíveis:

  • maior oferta de alimento qualificado;
  • cuidados sanitários mais rigorosos;
  • redução do gasto energético dos animais;
  • maior conforto térmico.

Dessa forma, consegue-se reduzir significativamente o estresse dos animais. Esse é um aspecto essencial na pecuária leiteira, uma vez que a capacidade produtiva leiteira é profundamente influenciada pela tranquilidade do rebanho.

O aproveitamento do espaço na criação do gado leiteiro é função do sistema adotado. Entre os principais, alguns se destacam.

Free stall

A primeira característica do sistema free stall é que os animais ficam soltos em uma área cercada. Assim, quando não são ordenhadas, as vacas podem vagar livremente.

Além da área de dispersão, existe outra com as baias nas quais os animais podem se deitar. Essas baias são forradas com areia, serragem ou borracha triturada.

Existe ainda um local para a alimentação nos cochos e a área de ordenha. O foco principal desse sistema é o conforto dos animais, em especial o conforto térmico.

Tie stall

Nesse sistema, as vacas permanecem confinadas durante todo o período produtivo. É mais indicado para pequenos rebanhos de alta performance na produção de leite.

Consta de baias dispostas lado a lado, alinhadas em uma extremidade pelo cocho comum que percorre todas as baias. Os animais ficam presos por meio de correntes no pescoço, sendo mais utilizado em regiões frias.

Compost barns

Esse sistema é constituído por uma grande área coberta para descanso das vacas. Nessa os animais podem descansar durante todo o ano, se deslocar e interagir.

Todo o piso é forrado com serragem que deve ser revirada duas vezes por dia. Esse material dará origem a um composto orgânico (que dá nome ao sistema) para uso posterior na melhoria dos solos de cultivo.

Um beiral de concreto separa toda a área do corredor de alimentação (cocho). Pelos bons resultados que tem apresentado, esse sistema integrado tem sido bem difundida no Brasil e já conta com centenas de produtores que a adotam.

A alimentação do animal

A fase da lactação nos animais leiteiros costuma afetar a composição e a quantidade de leite produzido, o consumo de alimentos pelas vacas e as alterações no peso vivo de cada animal. Assim, para definir o sistema alimentar do rebanho, devem ser considerados fatores como:

  • o nível de produção;
  • o estágio da lactação;
  • a idade da vaca;
  • a expectativa de consumo de matéria seca;
  • a condição geral dos animais;
  • o tipo e o valor nutritivo dos alimentos.

Assim, vacas nos dois primeiros estágios de lactação continuam com seu desenvolvimento corporal. Desse modo, devem receber quantidades de alimento superiores às necessárias para a produção leiteira, pois sua fase de crescimento prossegue.

Nesse sentido, a recomendação técnica é para acréscimo de 20% do alimento devido para as novilhas de primeira cria. Na segunda lactação, esse acréscimo pode ser reduzido para 10%.

Nessa fase de primeira cria, as vacas devem ser alimentadas separadamente. Dessa forma, não haverá dominância e a alimentação será adequada a cada estágio.

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A alimentação do gado leiteiro deve ser dividida em três estágios durante a lactação, em razão das diferentes exigências nutricionais em cada um.

Primeiro estágio

Do parto até 5 a 7 semanas depois, a produção de leite é crescente até atingir o pico no final desse período. No entanto, as vacas não conseguem consumir os alimentos proporcionalmente à produção de leite nessa fase — esse ponto deve ser levado em consideração, principalmente na produção de leite a pasto.

Por essa razão, sua alimentação deve ser rica em nutrientes para que não percam muito peso. O correspondente equilíbrio entre volume de alimentos e de produção só é alcançado entre 9 e 10 semanas após o parto.

Assim, deve-se balancear bem os volumosos, os concentrados, os minerais e as vitaminas componentes da dieta alimentar nesse primeiro estágio. Considere que, para cada 2 kg de leite produzido, a vaca necessita consumir, pelo menos, 1 kg de matéria seca.

Por sua vez, água limpa e de boa qualidade deve estar à disposição dos animais, nas proximidades do cocho. De modo geral, uma vaca consome 8,5 litros de água para cada litro de leite produzido.

Segundo estágio

No terço médio da lactação, as vacas já conseguiram recuperar sua condição corporal, assim como já devem estar enxertadas. Começa, então, a decrescer a produção de leite e elas devem manter o ganho de peso, preparando-se para o próximo parto.

Terceiro estágio

O terceiro estágio é a fase final da lactação, com uma produção bem menor até o encerramento quando se diz que “o leite secou”. Com isso, tem início a preparação para o próximo parto e a subsequente lactação.

Deve-se evitar que as vacas ganhem peso em excesso, mas não se descuidando da necessária reposição desde o início da lactação que se encerra. Nesse sentido, deve ser dada atenção especial ao período seco, de cerca de 60 dias, entre o final do terceiro estágio (secagem do leite) e o parto seguinte.

As doenças do gado leiteiro

Vacas leiteiras são especialmente suscetíveis a diversas enfermidades. No entanto, um manejo adequado incluindo cuidados sanitários e boa observação, consegue manter o rebanho sadio. Algumas das principais doenças podem ser destacadas.

Mastite

A mastite é a mais comum e, ao mesmo tempo, a mais importante doença do gado leiteiro. Sua incidência compromete drasticamente a produção em qualidade e quantidade.

Trata-se de uma inflamação da glândula mamária, tendo como causa a presença de microrganismos, principalmente bactérias. A contaminação de uma teta para outra ocorre facilmente.

Brucelose

A brucelose também é provocada por uma bactéria. A doença é uma zoonose, isto é, doença que pode ser transmitida do animal para o ser humano pela ingestão de leite e derivados contaminados.

Nas vacas em gestação, é responsável por abortos ou pelo parto de feto morto (natimorto). Nos machos, ocorre inflamação dos testículos. A doença pode deixar o animal afetado infértil.

Febre aftosa

A febre aftosa é provocada por um vírus e é muito contagiosa. A transmissão se dá pela saliva e pelo sangue dos animais infectados, assim como pela água, aves e pessoas que mantiveram contato com animais contaminados.

Por sua severidade, a vacinação contra a febre aftosa é obrigatória a partir do terceiro mês de vida e, posteriormente, a cada 6 meses. O vírus é muito resistente e permanece no couro e na medula óssea dos animais, mesmo depois de mortos.

Tuberculose

A tuberculose também é uma zoonose causada por bactéria que pode ser transmitida pelo ar. Provoca fraqueza, dificuldade respiratória e perda de peso nos animais.

Animais com diagnóstico confirmado da doença devem ser sacrificados em 30 dias. No Brasil, existe desde 2001 o Programa Nacional de Prevenção e Erradicação da Tuberculose, dada a sua importância.

O manejo correto do leite

Produtividade e qualidade do leite são aspectos da pecuária leiteira que resultam do adequado manejo da criação. Nesse sentido, é essencial observar alguns cuidados como:

  • otimização dos espaços disponíveis;
  • sistema de criação adotado;
  • cuidados sanitários na ordenha e na transferência do leite ordenhado;
  • acompanhamento sistemático da sanidade do rebanho;
  • alimentação adequada às diversas fases da lactação.

Como você pôde perceber, os cuidados com o gado leiteiro são essenciais e exigem atenção para uma produção de qualidade e uma boa produtividade do rebanho.

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