Como utilizar a ureia pecuária na alimentação de bovinos em períodos de seca?

Você já ouviu falar em ureia pecuária? Ela pode ser o elemento que faltava para melhorar a qualidade do pasto em períodos de seca. Assim como o confinamento de gado bovino, essa técnica pode causar um grande impacto positivo em sua produção. 

Pensando na importância do assunto, preparamos este artigo. Durante a leitura, você entenderá como a ureia age no capim, a relação entre custo e benefício para se fazer essa aplicação e de quais formas esse procedimento auxilia na otimização da produtividade.

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Em linhas gerais, a ureia para bovinos é um composto capaz de manter o peso dos animais com baixo custo, durante a seca e, ainda assim, alcançar bons resultados. 

A fim de analisar o tema com maior profundidade e extrair informações relevantes, entrevistamos Diogo Gonzaga Jayme que é pós-doutorado em Zootecnia pelo Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) — instituição na qual também atua como professor. 

Como a ureia pecuária age no capim?

Segundo Diogo, “a ureia é altamente solúvel no rúmen e é uma fonte de nitrogênio e proteína bruta (PB) para os bovinos. Os microrganismos presentes nesse compartimento utilizam a ureia convertendo-a em proteína verdadeira na forma de microrganismos, a chamada proteína microbiana, que será utilizada pelo animal para ganho de peso ou produção de leite”.

Ou seja, nos períodos de estiagem, quando o solo fica pobre em nutrientes e o pasto não oferece as substâncias necessárias para manter a saúde do animal, ela tende a ser uma alternativa muito interessante para quem trabalha no setor do agronegócio. Aliás, vale frisar que a iniciativa também pode ser aplicada em outras estações do ano. 

O custo x benefício da aplicação de ureia é bom para o produtor?

Como mencionado, a relação entre custo e benefício é um dos grandes atrativos para os produtores que pretendem fazer essa aplicação.

“Durante a seca, o teor de proteína do pasto cai drasticamente, fazendo com que os bovinos não encontrem na sua alimentação principal o nível mínimo de proteína, que é de 7%, para manter o rúmen em funcionamento. Ao utilizar a ureia, o produtor fornece nitrogênio, que será convertido em proteína dentro do rúmen e fará com que o animal aumente o consumo de capim de pior qualidade durante a seca”, explica Jayme. 

Sobre os custos envolvidos na utilização da ureia pecuária, o especialista vai ainda mais adiante: “A ureia é uma fonte de nitrogênio barata. Ela tem 45% de nitrogênio que, ao ser convertido em proteína, equivale a um valor de 280% de proteína bruta. O farelo de soja, por exemplo, contém em torno de 45% de PB”. 

“No ano de 2018, o preço da ureia se elevou devido ao anúncio do fechamento de duas fábricas da Petrobrás. O preço saiu de R$1,4 mil a tonelada no início do ano para cerca de R$2 mil no segundo semestre, aumentando significativamente os custos de produção da arroba dentro da fazenda”, conclui o pesquisador. 

É fundamental ressaltar que os preços das toneladas de ureia e de farelo de soja variam bastante conforme a região do país. De qualquer modo, em muitos cenários ela se mostra como uma alternativa mais vantajosa sob o ponto de vista do custo x benefício. 

Imagine um animal de 300 kg, com exigência mínima de 462 gramas de proteína. Se considerarmos as equivalências nutricionais e os valores mencionados acima, seriam necessários 70 gramas de ureia ou 440 gramas de farelo. Na primeira opção, o gasto diário seria inferior a R$0,02, ao passo que, na segunda, ele seria de R$0,53. Trata-se, portanto, de uma diferença significativa. 

Como é feita a aplicação da ureia?

De acordo com Diogo, “a ureia, na maioria das vezes, é colocada no suplemento mineral/proteico/energético, que pode ser sal ureado, normalmente usado para vacas de corte a pasto, ou sal proteinado, também conhecido como ‘lambe lambe’, geralmente destinado ao gado de corte em fase de recria a pasto”.

“O nível de inclusão varia de 5 a 25%, dependendo do produto. Em casos de suplementação volumosa com cana de açúcar, a ureia é aplicada diluída em água. A recomendação para a mistura com a cana é: utilizar uma proporção de 9 kg de ureia para 1 kg de sulfato de amônio e aplicar em 0,5 a 1% na matéria natural da cana. Por exemplo, para 100 kg de cana picada, dilui-se 1 kg da mistura entre ureia e sulfato de amônio em 4 litros de água. É necessário aplicar de maneira uniforme”, descreve o docente.

Ele ainda chama atenção para alguns cuidados que se deve ter ao aplicar essa poderosa substância, afinal, quando ingerida em grande quantidade, ela pode causar intoxicação, o que leva a problemas neurológicos e pode ocasionar a morte do animal. Por isso, a inclusão deve ser feita aos poucos, para que os gados se adaptem progressivamente. Caso pretenda utilizá-la em sua produção, busque o apoio de um nutricionista. 

Como essa técnica otimiza a produtividade?

“No caso das vacas de corte a pasto”, explica Jayme, “o fornecimento de ureia durante o período de seca propicia o aumento de consumo de pasto e a manutenção de uma boa condição corporal para o próximo parto e para a próxima estação de monta”.

Segundo o especialista, “esses animais podem ingerir apenas um sal mineral com ureia, desde que haja um bom manejo de pasto. Para animais em recria, a utilização da ureia nos suplementos propicia um ganho de peso durante um período crítico do ano, que pode variar de 100 a 400 gramas/dia. O nível de inclusão de ureia varia conforme o consumo de suplemento, sendo que o consumo depende do ganho almejado. Quanto maior o ganho, maior a necessidade de incluir farelo de soja ou proteína verdadeira na dieta dos ruminantes”.

De qualquer forma, é importante ressaltar que os resultados dependem das condições das pastagens, tanto em termos de quantidade, quanto de qualidade. Portanto, podemos concluir que a utilização de ureia pecuária na alimentação de bovinos pode ser uma excelente escolha para otimizar a produtividade, reduzir gastos e alcançar números mais satisfatórios. 

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